terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Conto: Coisas de adolescente

Eram sete horas da manhã de um sábado, normalmente ela estaria dormindo, mas não naquele dia. Ela acordou cedo, se arrumou e pegou o ônibus. O ponto onde teria que descer era longe do destino, teria que andar. Finalmente chegou! O lugar tinha as paredes amarelas, o letreiro dizia o nome da academia. Os alunos já estavam enfileirados esperando a próxima aula. Ela sentiu um frio na barriga, estava com vergonha. Coisas de adolescente. Entrou e foi falar com o recepcionista.

__Bom dia.

__Bom dia – ele respondeu.

__Eu liguei ontem e agendei uma aula grátis para conhecer a academia.

__Certo! Qual é o seu nome?

Ela respondeu.

__Tudo bem. O vestiário fica ali atrás, pode deixar suas coisas lá.

Ela assentiu e foi para o vestiário, passando com a cabeça baixa, por trás dos alunos. Um deles era faixa preta. A primeira aula de Kung Fu com um aluno faixa preta na turma. Isso a deixava ainda mais envergonhada e como dito antes, coisas de adolescente.

A menina saiu do vestiário depois de respirar fundo várias vezes e contar até três para abrir a porta. Já tinha passado das 8:30h, o horário previsto para começar a aula, todos os alunos estavam a esperando. Ela tinha atrasado a aula. Com a cabeça ainda baixa ela se posicionou. Era a última da fila. O aluno faixa preta se aproximou e então ela percebeu que não se tratava de um aluno, e sim, um instrutor.

Ele era maior do ela, mas somente um pouco, tinha o cabelo loiro e olhos castanhos. Sua faixa preta possuía o seu nome, e coincidentemente o sobrenome dele era igual ao dela. Era bonito, mas não era o tipo de garoto que fazia o seu tipo. Não, por enquanto. O instrutor ensinou-a como fazer o Kin Lai. Ela o imitou desajeitadamente e a aula começou.

Uma hora se passou, mas para ela parecia ter sido dez! Estava no vestiário, jogando uma água no rosto, completamente destruída. Seu corpo doía e ela mal sabia  que no dia seguinte ficaria bem, digo bem, pior. Sobre a aula que havia feito, ela gostara, mas dizer que tinha se saído bem seria demais, mas ela ficaria boa, ou pelo menos tentaria e com certeza, chegaria até a faixa vermelha.

A menina saiu do vestiário. Com um sorriso caloroso disse tchau para o instrutor. O instrutor que lhe daria aula duas vezes por semana pelos próximos dois anos e que além, muito além disso, a abraçaria, a beijaria e cuidaria dela como se fosse a última mulher do mundo, pelos próximos quatro anos.

FIM.

2 comentários:

  1. Adorei o texto, a sua narrativa é breve. Sem enrolação!
    A escolha da música também foi nota 10, é bom ter momentos nostálgicos, né? rsrs :)

    Abraço, www.likelivros.blogspot.com

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  2. Gracii *-*
    Adorei! :D E me lembrou muito quando eu comecei a treinar Muay Thai na academia daqui da minha cidade. haha~

    Beijinhos,
    Nina Xaubet
    <a href="www.storytimestoryteller.blogspot.com>Storytime, Storyteller</a>

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