terça-feira, 18 de novembro de 2014

A participação da mulher na literatura

No dia 07/11/2014 eu participei de um debate maravilhoso sobre criação de mundos fantásticos com os autores, Eric Novello e Enéias Tavares (confira o relato sobre o evento), e fui pega por uma pergunta interessante, totalmente pertinente ao tema, mas que eu estava despreparada para responder. E a pergunta, em outras palavras, era como eu me sentia sendo uma escritora de fantasia, em um mercado onde há poucas mulheres inseridas. O engraçado é que eu nunca havia pensado sobre o tema, apesar de ser óbvio, eu nunca havia feito a conta da proporção entre homens e mulheres no mercado de literatura fantástica e até no mercado de literatura em geral e o que eu respondi foi um total senso comum carregado de preconceito.

E eu me envergonho disso. Totalmente. Ainda mais eu que me declaro uma pessoa desprovida de preconceitos, mente aberta e feminista. A verdade é que é extremamente difícil ser uma pessoa assim, porque o senso comum, como o próprio nome diz, é comum e está em todo lugar, na boca de várias pessoas, sendo falado como verdade absoluta e pensar fora da “caixinha” é muito complicado. Mas eu tento e vou continuar tentando.

Então, após refletir sobre o assunto e pesquisar um pouco eu descobri que tenho preconceito com a literatura escrita por mulheres, (e nossa, como doeu para escrever isso!) então, hoje eu venho aqui humildemente me desculpar.

Há um conceito implícito, ou melhor, explícito de que mulheres somente escrevem para mulheres. Que mulheres somente escrevem/leem romance e autoajuda e até mesmo quando escrevem/leem outros gêneros, o romance é o foco principal da história. E isso é uma total inverdade e eu sou uma prova disso!

O meu livro é um livro de fantasia escrito para todos os gêneros. Ele tem romance (claro! E porque não?), mas não é o foco principal da história. Também tem batalhas e lutas e, diga-se de passagem, são as partes que eu mais me divirto escrevendo. As minhas personagens principais são mulheres fortes e guerreiras. Então, porque maldição esse preconceito estava enraizado em mim?!

Acho que esse preconceito foi jogado na minha cara tantas vezes que eu me apoderei dele. Lembro-me de uma vez, quando eu tive que jurar de pé junto a um leitor que o romance não era o foco principal da história e que ele ia gostar do livro, no final ele levou o livro, mas dizendo, com certeza nos olhos, que se eu estivesse enganada me procuraria no Facebook para eu dar explicações. Até agora ele não me procurou.

Além disso, eu gostaria muito de entender porque gênero chick lit foi traduzido como “literatura de mulherzinha”, e (perdão pela palavra) quem foi que fez essa merda? Deram um sentido totalmente pejorativo ao gênero e, aliás, porque esse gênero existe afinal? Não existe literatura para homens, existe? Então, porque tiveram que inventar um termo para discriminar literatura para mulher? Porque existe literatura para mulher?

Mais um fato curioso, que eu nunca havia me atentado era que as mulheres são minoria nas listas dos livros mais vendidos, eu fui verificar e comprovei a verdade. Na lista do site da revista Veja que saiu em 19/11/2014 dos 20 livros mais vendidos de ficção somente 5 são de mulheres, em não ficção o número foi melhor 9 de 20, em Autoajuda 2 livros foram escritos por mulheres. (isso se eu contei certo, rs). E eu nem vou perder meu tempo contando quantas delas são brasileiras.

Por fim, respondendo a pergunta, como eu me sinto sendo uma mulher no mercado de literatura fantástica: eu me sinto vitoriosa, porque agora eu entendo o quanto é trabalhoso chegar onde eu estou e como o caminho a partir daqui ficará cada vez mais difícil. Eu sei o valor de um reconhecimento e que não é normal ter que ficar me explicando para os leitores do sexo masculino comprarem o meu livro. As vezes um preconceito é tão bem trabalhado pela sociedade que você não percebe que o tem.

 Ficam aqui as minhas sinceras desculpas a todas as escritoras e a certeza de que a partir de hoje eu lerei cada vez mais livros escritos por mulheres.

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